A construção de um problema

“A construção de uma reflexão contínua possuidora de limites e estratégias em seu desenvolvimento, em nosso caso, confunde-se com uma prática cotidiana de experiências. Olhar todo esse processo, mesmo nele estando imerso, é construir diariamente hipóteses sobre os motivos que nos levam a determinar verdades, essas fugidias e muitas vezes “mentirosas”, visto sua constante provisoreidade. Cremos que essa possa ser uma das formas de encontrarmos os caminhos que buscamos seguir e que por algum motivo, (intuição, talvez?), momentaneamente julgamos como o mais adequado.

Nesse processo as escolhas referentes a um objeto de pesquisa, em muitas trajetórias acadêmicas, seguem caminhos, opções, que por vezes obedecem a motivos “externos” a trajetória até então percorrida, seja por qual motivo for, modificam-se, seguem para outras direções e isso também é uma forma de se compreender. Para nós, pelo menos, não podemos dizer que funcione dessa forma. Obedecemos à dúvida, a incerteza, o ato de questionar, de entender que o processo possui muitas outras variáveis e que isso, possivelmente, nos ocupará toda uma vida de pesquisa. Oficio? Por que não considerarmos nossa investigação como nossa opção profissional…talvez isso demonstre incertezas sobre o processo que hoje nos encontramos imersos: a difícil trajetória de construção de uma tese!”

Caros amigos,

retiramos este trecho bem do inicio de nossos escritos, no momento onde primeiro questionamos o protagonismo da vasta literatura até aqui percorrida. Poderíamos nos questionar de forma objetiva, diante de tudo até então acumulado, o recorte que gostaríamos de levar a frente com seus problemas, olhares e hipóteses, mas optamos, seja lá por qual motivo, por rivalizar as várias opiniões existentes com o nosso processo de síntese. A tal da autoria! Isso está presente e não encará-la significa um caminho para a bricolagem em seu sentido litúrgico, de manual e isso talvez seja o maior receio que possuímos nesse momento. Pode parecer um desabafo, e realmente é, mas em um sentido, com um tom que muito nos agrada, como dissemos no trecho acima, duvida!? Enfática e ao mesmo tempo angustiante…

Trabalhando na construção de nosso projeto de tese esse obstáculo se faz presente. Uma certa vez, ao ler um texto produzido para uma disciplina um de nossos Professores (os grandes culpados…) nos sugeriu uma certa “inapetência” no processo de analise apontado e isso durante algum tempo nos impediu de seguir adiante em nossos escritos iniciais, afinal tal termo inicialmente nos abordou pela sua opulência, mas em seguida por uma vontade de desvendar o que aquele “velho” professor queria nos dizer. Ainda não sabemos se encontramos o caminho indicado, e creio que jamais saberemos, mas acreditamos que o caminho escolhido possa vir a ser o mais prazeroso, em que melhor nos sentimos trabalhando e, por favor, não imaginem que esse seja um processo fácil, assimilar críticas gera desgaste, algumas horas de sono mal dormidas, mas satisfatório…
nesse processo muitas possibilidades embalaram nossos sonhos, ditaram regras e encaminharam soluções para a rivalidade criada por nós. logicamente que achávamos que eram soluções definitivas, dizendo-nos “agora já sei o que fazer!”, porém colocávamos a cabeça para dormir e todas as certezas desmoronavam, levavam com elas também nosso sono. Culpa, por acreditar que o máximo não era o que vínhamos fazendo, duvidas e mais duvidas nos livros pesquisados e nada de afirmações, a não ser algumas levianas… é difícil adequarmos a relação entre o que queremos fazer e o que podemos fazer, a “Tese de Doutorado” ou mesmo uma “Dissertação de Mestrado”, para utilizar um termo caro a modernidade, são fugidias, sem nenhuma constância, improváveis!Seguimos, e nesse pequeno texto optamos por descrever esse processo e, quem sabe, conseguir uma afirmação segura sobre o que significa “a autoria”, originalidade na escrita, operar categorias para nossa própria construção teórica. É dessa realidade que partimos, e se inicialmente nos questionamos, sem muita noção dos “por quês” é pelo fato de estarmos imersos nesse desenvolvimento.

Seguindo adiante, em todo esse processo tínhamos a noção que encontraríamos um caminho para percorrer, sair da deriva e encontrar a rota mais adequada. Optamos por seguir trabalhando em algo que, de certa forma, já expusemos nesse blog a discussão conceitual sobre educação integral, só que nessa escolha outros elementos emergiram como dúvidas, dificuldades, afinal o processo apresenta descaminhos, descontinuidades. O desmembramento desse conceito, ou sua analise, acreditávamos, possibilitaria sua melhor compreensão nos dias atuais, uma melhor justificativa para seu destaque, sobremaneira os rumos indicados, atualmente, pelas políticas de ampliação do tempo escolar e de ampliação das funções escolares, acontece que para esse trabalho precisaríamos encontrar o terreno mais adequado, o solo mais fértil de elementos que pudesse enriquecer essa analise. Nesse contexto percorrendo a literatura identificamos uma continuidade interessante no que tange a construção social da escola pública brasileira com o cenário de desenvolvimento social do Brasil no segundo quartel do século passado . Somente para fins de ilustração encontramos detalhes interessantes que já detectavam a chegada das classes populares brasileiras a escola pública (compreendendo esse processo como a construção de um direito social) no âmbito da polarização existente durante a construção dos grandes centros urbanos: A Cidade versus o campo. No entanto para além dessa analise, Josué de Castro apontava em a “Geografia da Fome” um processo de desumanização prolongado das camadas populares submetidas a uma ação descaracterizada de um estado brasileiro ainda fortemente demarcado por seu uso privado, arbitrário. Assim os caminhos de nossa educação eram dirigidos através da arbitrariedade do desenvolvimento, Educação e desenvolvimento social: um belo par. Pois bem, o fato é que esse processo gerador dessa desumanização encontrava oposição no seio de movimentos distintos, tanto liberais como socialistas apontavam que o caminho para essa relação necessitaria estar constituído de outros valores, de projetos distintos aos indicados como modelo de desenvolvimento. A introdução de uma nova escola foi sintetizada para responder as demandas de um mundo moderno que nós desejávamos alcançar em contrapartida ao arcaísmo presente na estrutura do estado brasileiro como nos indica Anísio Teixeira na Pequena Introdução a Filosofia da Educação de 1934.
nesse quadro se hoje encaminhamos a ampliação das funções escolares, tanto em seu tempo, quanto em seu conteúdo, como indicadores de qualidade e possuindo como estandarte a educação integral percebemos uma continuidade nesse espírito moderno. Talvez um processo caracterizado pelas suas descontinuidades, interrupções, porém reificado pela necessidade da busca incessante pelo desenvolvimento social, dai a idéia de continuidade histórica.

Assim sendo o pensamento sobre “a autoria” recai sobre particularidade de encontrarmos respostas para dúvidas do presente, demarcadas pelo contexto no qual procuramos solucioná-las. Em nosso caso as respostas formuladas durante o segundo quartel do século passado às arbitrariedades presentes na relação educação e desenvolvimento social surgem como um problema de investigação, de analise, a qual nos deteremos como forma de dar sentido a “inapetência” que tanto nos incomoda.

Bruno Adriano

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