…FALANDO DE ESPAÇO(S) E DE EDUCAÇÃO INTEGRAL

 

Lígia Martha Coelho

Caros “bloguistas”…

  Bem, se a expressão acima ainda não existe, vai passar a existir (afinal, as línguas são produtos de seus usuários, concordam?). Então, caros “bloguistas”, as últimas postagens têm elaborado textos reflexivos sobre algum ponto que, de certa forma, adentra – ou tangencia – nossa discussão principal – a educação integral e(m) jornada ampliada. Exatamente por isto optei por um diálogo em que, a partir de uma situação concreta, pudéssemos nos questionar. Então, vamos a essa situação concreta?

 Na semana do dia 15 de março, fruto de uma pesquisa nacional que estamos desenvolvendo, fomos ao município de São Paulo para conhecer duas das experiências de jornada ampliada que vem sendo desenvolvidas na rede daquela localidade. Uma dessas experiências é implementada nos CEUs – Centros de Educação Unificada –  criados na gestão da então prefeita Martha Suplicy.

Tenho a lhes dizer que o impacto que a estrutura física dessa instituição escolar nos causa é imensa: o espaço é, pelo menos, três vezes maior do que os dos CIEPs do estado do Rio de Janeiro, e também dos CAICs, programa iniciado pelo governo federal, à época da gestão de Fernando Collor de Melo; as instalações, de alto nível – sejam das mais elementares (cozinha, banheiros), até as menos comuns em escolas públicas (equipamento de luz e som em auditório, três piscinas, por exemplo); o corpo de funcionários, aparentemente adequado e suficiente para as atividades que são propostas na/pela instituição (dizemos “aparentemente” na medida em que realizamos uma visita curta a um desses prédios escolares, de aproximadamente uma tarde). Em outras palavras, temos um espaço perfeitamente adequado à implantação de jornadas ampliadas, com educação integral.

 Contudo, toda essa estrutura muito bem montada nos levou a questionamentos, dos mais pueris aos mais elaborados, e que queremos compartilhar com nossos “blogueiros”, sem a pretensão de respondê-los de imediato: (1) a estrutura física da instituição escolar é, realmente, fator decisivo na implementação de uma educação integral em jornada ampliada/integral? (2) se respondermos afirmativamente à questão anterior, detonamos outra pergunta: quais espaços da instituição escolar a implementação da educação integral em jornada ampliada deveria privilegiar, no sentido de constituir essa concepção de educação?

 Como vocês perceberam, partimos do pressuposto de que nossa primeira questão seria respondida afirmativamente e, assim, surgiu a segunda pergunta. Dentro dessa lógica, a opção pela ampliação e/ou criação de espaços que contribuam para com a construção de atividades pedagógico-educativas seria a nossa resposta inicial, isto porque, se pensamos em educação integral, tudo o que possa contribuir para com a sua consolidação é sempre bem vindo.

 No entanto, conhecemos escolas cujo espaço é pequeno, mas que possuem um trabalho de qualidade, com atividades constituindo uma jornada ampliada para os alunos. Nessas instituições surgem, por exemplo, dois a três degraus em um lado do refeitório, abrindo para um espaço que pode se transformar em auditório, sala para apresentações artísticas e eventos. Também encontramos salas que, tanto podem ser utilizadas para as aulas regulares, quanto podem ser transformadas em espaços de convivência, de projeção de filmes, de realização de atividades artísticas – dependendo dos materiais e equipamentos que lá estejam, ou que para lá possam ser levados com alguma rapidez. Tal estratégia possibilita que um espaço seja “reaproveitado”, em outro momento pedagógico-educativo, sem alterar substancialmente a estrutura física da escola.

 Alguns podem argumentar: Não é melhor construir espaços para as atividades complementares nas escolas? É claro que sim! Nós sempre reforçamos que educação é investimento; portanto, havendo possibilidade, a construção desses espaços é nossa primeira meta. Contudo, se esta estratégia for algo a longo prazo, por que não lançar mão de outras possibilidades mais imediatas e que contribuam para que o aluno tenha mais oportunidades pedagógico-educativas no espaço escola?

 Com tal raciocínio, não estamos afirmando que as atividades geradoras de uma possível educação integral devem acontecer, todas, no espaço escola. Historicamente, a instituição escolar sempre trabalhou com atividades fora de seu espaço – visitas a museus, exposições, a outros lugares que se situem fora do entorno escolar, com o objetivo de, antes ou depois dessa atividade, buscar a correlação desse acontecimento com o que fora visto em sala de aula. E essa estratégia pedagógica ainda é bastante utilizada hoje em dia, em nossas escolas públicas.

 Nesse sentido, lançamos mais algumas questões, a título de reflexão sobre a relação espaço escolar – educação integral – jornada ampliada: A ausência de espaços específicos para a realização de determinadas atividades complementares é, realmente, fator impeditivo na formulação, pelo projeto pedagógico da escola, de uma proposta de educação integral em jornada ampliada? O coletivo de sujeitos que interagem no espaço escolar – gestores, professores, funcionários, alunos, comunidade em geral – não pode agir, no sentido de construir possibilidades mais criativas de reflexão pedagógico-educativa, evidenciando seu comprometimento com uma proposta mais ampliada e qualitativa de ensino?

Até a próxima!!!

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