Algumas considerações sobre Educação Integral…

Alessandra Victor

A princípio é importante ressaltar que o termo educação integral nos revela múltiplos significados. Isso porque o mesmo foi adotado por diferentes concepções pedagógicas e/ou correntes de pensamento, algumas delas, inclusive, opostas.  Observa-se menções a educação integral (também entendida como formação integral) nos projetos político-ideológicos de anarquistas, marxistas, liberais, bem como em movimentos sociais, dentre outros.

 Atualmente, o tema educação integral vem ganhando espaço no debate educacional, principalmente com a implementação de várias ações do Poder Público e da sociedade civil no âmbito dessa temática.  Sua vitalidade se manifesta nas políticas públicas educativas das três esferas administrativas (Federal, Estadual e Municipal) e em projetos emanados de organizações não governamentais, movimentos sociais e mesmo de instituições privadas.

 A(s) proposta(s) de educação integral para o sistema público de ensino carrega(m) novas concepções de educação, o que produz, com efeito, uma ressignificação de vários aspectos do espaço escolar, quais sejam: o papel da escola, o tempo e o espaço, a gestão, a prática pedagógica, a avaliação, o financiamento, a formação docente e até mesmo sua organização curricular.

Protegidos por argumentos como crise da escola, fracasso do Estado em gerir os bens públicos e transformação da sociedade, grandes organismos e/ou intelectuais estão defendendo projetos educacionais que focam a cidade como novo espaço educacional.

Ao defenderem um projeto de “cidade educadora”, muitos idealizadores acreditam que para a funcionalidade do mesmo é necessário que haja homogeneidade, igualdade e coesão social. Esses objetivos se tornam difíceis de serem atingidos quando pensados em uma sociedade capitalista, já que a mesma é formada por uma estrutura que possui como características fundamentais diferenças sociais, concorrência, disputa, hierarquia, entre outros.

O fato é que a sociedade capitalista já não está dando conta de todas as mazelas construídas ao longo de vários anos de exploração econômica do mundo. Criou-se com o capitalismo, um mundo dividido entre poucos ricos e muitos pobres, uma enorme marginalização, diferenças sociais gritantes e destruição das reservas ambientais. Uma das instituições que mais sofre com a destruição desse modelo societário é justamente a escola pública. Se nos primórdios da sociedade brasileira ela foi um local privilegiado dos filhos das elites, hoje, que se tornou lugar de direito de todos os cidadãos,  está sendo estigmatizada de várias formas, inclusive, como instituição que corrobora para a estratificação social.

Diante disso, devemos destacar que a cidade não é um ambiente que só possui lugares bons ou onde só acontecem coisas boas. Nesse sentido, é necessário analisar com cautela as diversas concepções educacionais de formação integral do indivíduo, que estão articuladas a variadas propostas públicas, pois é imprescindível diferenciar os projetos que realmente valorizam a igualdade e a democracia, daqueles que pressupõem coesão social através de um ambiente de estratificação social.

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